Ensaios e resenhas
- Conservando Ideias
- 19 de mai.
- 2 min de leitura
O ensaio de hoje é um capítulo do livro "10 anos de LARP" (Laboratório de Arqueologia Romana Provincial), organizado pela Universidade de São Paulo. O capítulo, escrito por Marjori Pacheco Dias e Diego Lemos Ribeiro, "Política de Descarte: uma Ferramenta de Gestão?" discute sobre como a política de descarte não se resume somente a "jogar fora", e como ela é necessária para os locais de guarda, afinal o espaço das instituições é finito, então como coordenar um acervo que, em teoria, só cresce eternamente? É com certeza um tema delicado, pois não estamos acostumados a ouvir "descarte" e "acervos" juntos, parecem ideias contrárias e até paradoxais.
Segue a introdução:
"A Arqueologia vem se desenvolvendo de maneira intensa no Brasil, gerando, com isso, um crescente quantitativo de novos acervos que são destinados a museus e demais Instituições de Guarda e Pesquisa – IGP’s. Como efeito reverso, os locais de guarda definitiva, muitas vezes com sua capacidade máxima de armazenamento já atingida, demandam a criação e uso de protocolos para operar o gerenciamento das coleções.
A guarda e curadoria de coleções implicam o uso de recursos diversos, irremediavelmente. Estes não se limitam, apenas, ao aporte financeiro destinado às instituições – cada vez mais escasso –, mas também aos recursos humanos e de infraestrutura. Para além, deve-se considerar que a capacidade de espaço para salvaguarda também é um recurso finito, além de dispendioso. Conforme alertam Lima e Rabello (2007), as instituições já se encontravam abarrotadas apenas com a pesquisa acadêmica, e com a arqueologia preventiva redundam por chegar a uma situação limite. Ainda que as Instituições de Guarda e Pesquisa consigam aumentar os espaços, esta solução não seria mais do que um paliativo, uma vez que, sem uma política clara de gestão de coleções, não demorará muito tempo até que voltem a planejar a construção de um novo edifício.
Por isso, as instituições devem criar instrumentos e protocolos que subsidiem as ações de ordem imediatamente práticas. Como bem arrazoado por Duarte Cândido (2013), torna-se cada vez mais necessário dar centralidade ao
planejamento na gestão institucional, por uma necessidade clara de racionalizar o uso de recursos para equacionar uma situação já insustentável.
Dentre os principais documentos capazes de auxiliar os profissionais que lidam com o patrimônio arqueológico custodiado em instituições estão o plano museológico, política de acervos, manual de conservação, protocolo de ingresso de coleções, além de sistemas digitais para a documentação museológica. Porém, há uma ferramenta que é de suma importância e que há muito vem sido “esquecida” ou “deixada de lado”: a Política de Descarte.
Sem qualquer intenção de incentivar práticas ilegais de mutilação e/
ou destruição de bens da União, o presente trabalho visa fomentar o debate sobre Política de Descarte no contexto da gestão de patrimônios arqueológicos; discutir seus limites e extensões conceituais; arrolar possíveis critérios de seleção e priorização, de modo a transformar esta cadeia de procedimentos em uma potente ferramenta de gestão."
É uma leitura muito esclarecedora, proposta a quebrar certos paradigmas sobre o descarte, e expandir horizontes e discussões a nível institucional, para que tudo possa acontecer da maneira mais correta e evitando ao máximo possíveis perdas e superlotação dos acervos.
É isso! Espero que o ensaio de hoje te ajude a expandir horizontes, pensar no patrimônio por uma nova ótica.
Até a próxima!




Comentários