Resumos de TCC
- Conservando Ideias
- 30 de jul.
- 4 min de leitura
Os trabalhos no artigo de hoje são trazidos diretamente de Portugal, com temas novos por aqui: um é sobre a conservação e restauração de um biombo em estilo oriental e outro é sobre novas formas de se financiar trabalhos de restauração.
O primeiro, escrito por Ana Cristina Seco de Morais em 2017 para a aquisição de seu mestrado, trata de um tipo de arte não muito comum no Brasil, que é a arte chinesa, principalmente biombos. "Estudo e tratamento de conservação e restauro de um biombo oriental em madeira policromada" traz um estudo sobre uma obra tão única quanto o período histórico no qual ela se insere.
Segue o resumo:
"No âmbito da presente dissertação de mestrado, efectuou-se o estudo de um biombo oriental em madeira policromada, cuja intervenção se encontra ainda em desenvolvimento.
O biombo, composto por seis folhas articuladas entre si, pertence a um colecionador particular, e apresentava extensos repintes, que pretenderam ocultar, nas pinturas de 12 cartelas, a origem ocidental das figuras e os símbolos cristãos, e que resultaram na alteração da imagem original.
A intervenção de conservação e restauro, bem como o estudo efectuado, permitiram um maior conhecimento dos materiais e técnicas de execução da obra, bem como da história e das razões pelas quais os repintes terão sido adicionados. Originalmente estavam representados actos da vida de São Domingos de Gusmão e os repintes visaram a
dessacralização do objecto, provavelmente durante o período em que o cristianismo foi proibido na China (de 1724 até à década de 1840).
A remoção ou não, dos repintes, colocou questões pertinentes, do ponto de vista da teoria e da ética da conservação e restauro, bem como da metodologia e dos critérios que balizavam a intervenção proposta. A ponderação sobre esses aspectos levou à tomada de decisão da não remoção desses repintes, não obstante a sua natureza grosseira, devido ao seu valor histórico e documental."
E o segundo trabalho de hoje é um tema potencialmente polêmico? Necessário? Vocês me digam! A dissertação de mestrado "Novas formas de financiamento de intervenções de conservação e restauro - Mecenato, Patrocínio e Crowdfunding", de Ana Isabel de Sousa Martins Guerin de Sousa, toca no tema que todos querem falar, mas poucos escutam de fato: Dinheiro.
Segue o resumo:
"A presente dissertação pretende estudar os modelos de mecenato, patrocínio e crowdfunding, como uma alternativa ao financiamento de intervenções de conservação e restauro de bens culturais móveis e integrados, existentes em território nacional, que tradicionalmente estariam a cargo do Estado e das suas instituições. A pesquisa começa por definir o que são bens culturais móveis, a partir da Lei de Bases do Património Cultural (Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro), e quais as suas disposições legais de forma a contextualizá-los neste estudo.
Dada a escassez de informação acerca do estado de conservação destes bens culturais móveis, foi elaborado um questionário, intitulado “O papel da conservação e restauro nos museus portugueses”, de forma a compreender as carências nos acervos nacionais. Este levantamento, feito por amostragem, veio corroborar as deficiências de conservação e restauro nas coleções museológicas, bem como a falta de recursos humanos especializados na área. Foi ainda averiguado o interesse da população portuguesa no uso destes modelos de financiamento, a fim de compreender a sua viabilidade e possível utilidade na resolução do problema. Recorrendo uma vez mais à indagação pública por amostragem, elaborou-se um novo questionário de respostas múltiplas, intitulado “Novas formas de financiamento em intervenções de conservação e restauro de bens culturais”. Após a análise de todos os dados recolhidos, quer do ponto de vista das carências museológicas, quer relativamente à participação do público, foi proposta a criação de uma plataforma exclusiva ao financiamento de intervenções de conservação e restauro de bens culturais móveis e integrados em território português. Pretende-se assim colmatar a falta de investimento na área, que tem vindo a contribuir para a constante deterioração dos bens culturais. Este projeto, que chamamos de Plataforma de Apoio ao Património (PAP), apresenta duas fases distintas de implementação: a primeira é através de crowdfunding, que tem mais alcance mediático, e a segunda, com a implementação de projetos de patrocínio e mecenato que criam um elo de ligação entre pessoas/empresas e as instituições detentoras de bens culturais móveis. A PAP pretende ser o primeiro canal português de crowdfunding que se dedica exclusivamente ao apoio de projetos de conservação e restauro do património móvel e integrado, e que simultaneamente apela à consciencialização da população portuguesa para a necessidade de conservar e proteger o seu património cultural."
Não importa quanta paixão temos por nosso trabalho, o financiamento é sempre uma questão importante onde discussões acaloradas são feitas: onde dá para economizar, o que é muito caro para obter no Brasil, qual um possível substituto para ficar dentro do orçamento? E não importa quantos projetos culturais são promovidos por ações governamentais, sempre terá algum projeto que não será contemplado, mas necessita ação imediata. Então qual o próximo passo? Crowdfunding? Iniciativa privada? Ainda que o artigo fala sobre a realidade portuguesa, é uma análise necessária para a realidade brasileira e, quem sabe, pode inspirar discussões e ações dentro da profissão?
Por hoje é só! Espero que tenha gostado da seleção de hoje!
Até a próxima!


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